Dica de Livros
O Descortinar do drama da redenção
W G. Scroggie
 

 

Com Cristo na Escola de Oração
Andrew Murray
 

 

O Ministério 
do Espírito 
A. J. Gordon
 

 

A Humildade no ensinamento de Jesus

Leitura: "Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração " (Mateus 11.29).

 

"Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva (...), tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir" (Mateus 20.26,28).

 

Vimos a humildade na vida de Cristo, como Ele revelou Seu coração para nós. Agora va­mos ouvir Seu ensinamento. Para tal, deve­mos ouvir como Ele fala disso, e até que ponto Ele espera que os homens, e especialmente Seus discípu­los, sejam humildes como Ele foi. Vamos estudar cuidadosamente as passagens (as quais raramente faço mais do que citar) para receber a plena impressão de quão frequente e quão seriamente Ele ensinou isso. Isso poderá ajudar-nos a perceber o que Ele requer de nós.

 

1. Olhe para o início do Seu ministério. Nas bem-aventuranças com as quais o Sermão do Monte começa, Ele falou: "Bem-aventurados os humildes (pobres) de espírito, porque deles é o reino das céus. (...) Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a ter­ra" (Mt 5.3, 5). As primeiras palavras de Sua procla­mação do reino dos céus revelam a única porta aber­ta através da qual entramos. Para os pobres, que não têm nada em si mesmos, vem o reino. Para os man­sos, que não buscam nada em si mesmos, será a ter­ra. As bênçãos dos céus e da terra são para os humil­des. Para a vida celestial e terrena, a humildade é o segredo de bênção.

 

2. "Aprendei de Mim, porque sou mnanso e hu­milde de coração; e achareis descanso para a vossa alma" (11.29). Jesus se ofereceu a Si rrmesmo como Mestre. Ele nos fala que espírito podemos achar Nele como Mestre, o qual também podemos aprender e receber Dele. Mansidão e humildade sãoi a única coi­sa que Ele nos oferece; nelas acharemos perfeito des­canso para nossa alma. A humildade foi destinada para ser nossa salvação.

 

3. Os discípulos disputaram quem seria o maior no reino, e concordaram em perguntar ao Mestre (Lc 9.46; Mt 18.1). Ele colocou uma criança no meio deles e disse: "Aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus" (Mt 18.4 - RC). "Quem é o maior no reino dos céus?" A pergunta é, de fato, de grandes implica­ções. Qual será a principal distinção no reino dos céus? A resposta, ninguém, a não ser Jesus, poderia ter dado: a principal glória nos céus, a verdadeira inclinação celestial, a principal das graças é a hu­mildade. "Aquele que é o menor entre vós, esse será o maior (Lc 9.48)".

 

4. A mãe dos filhos de Zebedeu pediu a Jesus que seus filhos se sentassem à Sua direita e à Sua esquerda, no lugar mais elevado no reino. Jesus disse que não era Ele quem concederia isso, mas o Pai o daria àqueles para quem estava preparado. Eles não devem buscar ou pedir por isso. Seu pensamento tem de estar voltado para o cálice e o batismo da humilha­ção. E depois, acrescentou: "Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva (...) tal como o Filho do homem, que não veio para ser ser­vido, mas para servir" (Mt 20.20-28). Como a humil­dade é a marca de Cristo, o Celestial, ela será o único padrão de glória nos céus: o mais humilde é que esta­rá mais perto de Deus. A primazia na Igreja é prome­tida aos mais humildes.

 

5. Falando, às multidões e aos discípulos, sobre os fariseus e sobre o amor deles pelas primeiras cadei­ras nas sinagogas, Cristo disse uma vez mais: "O maior dentre vós será vosso servo" (Mt 23.11). A humildade é a única escada para a honra no reino de Deus.

 

6. Em outra ocasião, na casa de um fariseu, Ele contou a parábola de um convidado que foi chamado para ocupar um lugar mais à frente (Lc 14.7-11), e acrescentou: "Todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado". A exigência é impla­cável. Não há outro caminho. Somente a auto-humi-lhação será exaltada.

 

7. Depois da parábola do fariseu e do publicano, Cristo falou novamente: "Todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado" (Lc 18.14). No templo, e na presença e na adoração a Deus, tudo o que não é permeado por uma profunda e verdadeira humildade diante de Deus e dos ho­mens é sem valor.

 

8. Após ter lavado os pés dos discípulos, Jesus disse: "Se Eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos ou­tros" (Jo 13.14). A autoridade da liderança e do exem­plo, todo pensamento, seja de obediência ou confor­midade, faz da humildade o primeiro e mais essencial elemento do discipulado.

 

9. À mesa da Santa Ceia, os discípulos ainda disputavam quem seria o maior. Jesus disse: "O maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. (...) No meio de vós, Eu sou como quem serve" (Lc 22.26, 27). O caminho pelo qual Jesus andou, e que Ele nos abriu, o poder e o espírito nos quais Ele operou nossa salvação, e para os quais Ele nos salva, é sempre a humildade, que me faz o servo de todos.

 

Quão pouco isso é pregado! Quão pouco isso é praticado! Quão pouco a carência disso é sentida ou confessada!, para não dizer quão poucos chegam a isto: a alguma medida considerável de semelhança a Jesus em Sua humildade. Antes, quão poucos pensam em fazer sempre disso um objeto específico de con­tínuo desejo ou oração. Quão pouco o mundo tem visto isso! Quão pouco isso tem sido visto até mesmo no círculo interior da Igreja.

 

"Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva." Que Deus nos permita crer que Jesus fala sério! Todos sabemos o que o caráter de um servo ou escravo fiel implica: devoção aos interesses do mestre, estudo cuidadoso e atento para agradá-lo, deleitar-se em sua prosperidade e honra e felicidade. Há servos na terra nos quais essas dispo­sições são vistas, e para os quais o nome de servo nunca foi nada a não ser glória. Para quantos de nós não tem sido uma nova alegria na vida cristã saber que podemos nos entregar como servos, como escra­vos a Deus, e descobrir que Seu serviço é nossa mai­or liberdade, a liberdade do pecado e do ego? Preci­samos agora aprender outra lição: que Jesus nos cha­ma para ser servos uns dos outros, e que, quando aceitamos isso de coração, esse serviço também será o mais abençoado de todos, uma nova e mais plena libertação também do pecado e do ego.

 

À primeira vista, isso pode parecer difícil; isso é assim somente por causa do orgulho que ainda se con­sidera alguma coisa. Se uma vez aprendermos que ser nada diante de Deus é a glória da criatura, o espírito de Jesus, o regozijo dos céus, daremos boas-vindas com todo o coração à disciplina que, porventura, tenhamos ao servir até mesmo aqueles que tentam nos importu­nar. Quando nosso próprio coração estiver colocado nisto, na verdadeira santificação, estudaremos cada pa­lavra de Jesus em auto-humilhação com novo deleite, e nenhum lugar será baixo demais e nenhum rebaixamento será profundo demais e nenhum serviço será insignifi­cante ou prolongado demais se pudermos compartilhar e provar a comunhão com Ele que disse: "Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve" (Lc 22.27).

 

Irmãos, aqui está o caminho para a vida superior: baixo, mais baixo! Isso foi o que Jesus sempre disse aos discípulos que estavam pensando em ser grandes no reino e em sentar à Sua direita e à Sua esquerda. Não busquem, não peçam por exaltação; isso é traba­lho de Deus. Olhem para isso para que vocês se hu­milhem e não tomem diante de Deus ou do homem lugar que não seja o de servo; isso é o trabalho de vocês. Façam com que esse seja seu único propósito e oração. Deus é fiel. Assim como a água busca e preenche o lugar mais baixo, assim também, no mo­mento em que Deus encontra a criatura rebaixada e esvaziada, Sua glória e poder fluem para exaltar e aben­çoar. Aquele que se humilhou — esse deve ser nosso único cuidado — esse será exaltado. Isso é o cuidado de Deus; pelo Seu poder maravilhoso e em Seu gran­de amor, Ele fará isso.

 

Os homens, algumas vezes, falam como se hu­mildade e mansidão pudessem tirar de nós o que é nobre, e corajoso e viril. Oh, quem dera todos cres­sem que isso é a nobreza do reino dos céus, que isso é o espírito real que o Rei dos céus exibiu, que isso é semelhança a Deus: humilhar-se, tornar-se o servo de todos! Esse é o caminho para a alegria e para a glória da presença de Cristo em nós, Seu poder re­pousando sobre nós.

 

Jesus, o Manso e Humilde, nos chama para aprender Dele o caminho de Deus. Vamos estudar as palavras que temos lido, até que nosso coração seja preenchido com o pensamento: "Minha única neces­sidade é a humildade". E vamos crer que o que Ele mostra, Ele dá; o que Ele é, Ele concede. Como Aquele que é Manso e Humilde, Ele virá e habitará no coração desejoso.

 

Extraído do livro: Humildade: A Beleza da Santidade (Publicado pela Editora dos Clássicos :

www.editoradosclassicos.com.br)

 

Autor: Andrew Murray