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O Ministério 
do Espírito 
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A Lepra Numa Casa

O leitor observará que os casos de lepra numa pessoa ou no vestuário podiam ocorrer no deserto; porém, no caso de uma casa, era forçoso que aparecesse em Canaã.

 

"Quando tiverdes entrado na terra de Canaã, que vos hei de dar por possessão, e eu enviar a praga da lepra a alguma casa da terra da vossa possessão... então, o sacerdote ordenará que despejem a casa, antes que venha o sacerdote para examinar a praga, para que tudo o que está na casa não seja contaminado; e, depois, virá o sacerdote, para examinar a casa; e, vendo a praga, e eis que, se a praga nas paredes da casa tem covinhas verdes ou vermelhas, e parecem mais fundas do que a parede, então o sacerdote sairá daquela casa para fora da porta da casa e cerrará a casa por sete dias." Lv 14:34-38

 

Considerando a casa como figura de uma assembléia, encontra­mos nesta passagem alguns princípios importantes do método divino de tratar o mal moral, ou os sintomas de mal, numa congre­gação. Observamos a mesma santa calma e perfeita paciência a respeito da casa que já tínhamos observado em referência à pessoa ou ao vestuário. Não havia pressa nem indiferença, quer se tratasse de uma casa, de um vestido ou de um indivíduo. Quem observasse algo de anormal na sua casa não devia ficar indiferente a qualquer sintoma suspeito que aparecesse nas paredes; nem devia ele próprio pronunciar-se sobre esses sintomas. Examinar e julgar era trabalho do sacerdote. A partir do momento em que qualquer coisa de suspeito aparecesse, o sacerdote assumia uma atitude judicial a respeito dessa casa. A casa ficava submetida a juízo, ainda que não condenada. Antes de se poder chegar a uma decisão, tinha de decorrer o período legal. Podia ocorrer que os sintomas fossem meramente superficiais, e nesse caso nenhuma ação seria tomada.

 

"Depois, tornará o sacerdote ao sétimo dia e examinará; e, se vir que a praga nas paredes da casa se tem estendido, então, o sacerdote ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo". Vs 39-40

 

Antes de se condenar toda a casa, devia fazer-se a prova arrancando somente as pedras que tinham lepra.

 

"Porém, se a praga tornar e brotar na casa, depois de se arranca­rem as pedras, e depois da casa ser raspada, e depois de ser rebocada, então, o sacerdote entrará, e, examinando, eis que, se a praga na casa se tem estendido, lepra roedora há na casa; imunda está. Portanto, se derribará a casa, as suas pedras e a sua madeira, como também todo o barro da casa; e se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo". Vs 43-44

 

O caso era irremediável, o mal incurável: todo o edifício tinha de ser demolido.

 

"E o que entrar naquela casa, em qualquer dia em que estiver fechada, será imundo até à tarde. Também o que se deitar a dormir em tal casa lavará as suas vestes; e o que comer em tal casa lavará as suas vestes". Vs 46-47

 

É uma verdade muito solene. O contato polui! Recor­demos isto. Era um princípio amplamente recomendado na econo­mia Levítica; e, seguramente, não é menos aplicável nos dias de hoje.

 

"Porém, tornando o sacerdote a entrar, e, examinando, eis que, se a praga na casa se não tem estendido, depois que a casa foi rebocada, o sacerdote declarará a casa por limpa, porque a praga está curada". Vs 48

 

A remoção das pedras manchadas, etc, tinha sustado o desenvolvimento do mal e tornado desnecessário qualquer juízo ulterior. A casa deixava de estar sob ação judicial; e, sendo purificada pela aplicação do sangue, estava de novo em condições de ser habitada.

 

 

O Juízo do Mal numa Assembléia

 

E, agora, quanto à moral de tudo isto: é, ao mesmo tempo, interessante, solene e prática. Consideremos, por exemplo, a igreja em Corinto. Era uma casa espiritual composta de pedras espirituais; mas o olhar perspicaz do apóstolo descobriu nas suas paredes certos sintomas de natureza muito duvidosa.

 

Ficou ele indiferente? Não, por certo. Ele estava tão possuído do espírito do Dono da casa que não podia admitir, nem por um momento, tal coisa. Mas se não ficou indiferente também não se mostrou precipitado. Mandou tirar a pedra leprosa e deu à casa uma raspagem completa. Havendo atuado assim, esperou pacientemente o resultado. E qual foi esse resultado? Aquele que o coração mais podia desejar.

 

"Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito; e não somente com a sua vinda, mas também pela consolação com que foi consolado de vós, contando-nos as vossas saudades, o vosso choro, o vosso zelo por mim, de maneira que muito me regozijei... em tudo mostrastes estar furos neste negócio" (compare-se 1 Co 5 com 2 Co 7:6-11-11).

 

É um agradável exemplo. O cuidado e zelo do apóstolo foram amplamente recompensados; a praga foi retida e a assembléia liberta da influência corruptora do mal moral que não havia sido julgado.

 

Tomemos outro exemplo.

 

"E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem. Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas; o que eu aborreço. Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca" (Ap 2:12-16).

 

O sacerdote divino mantém aqui uma atitude judicial em relação à sua casa em Pérgamo. Não podia ficar indiferente à vista de sintomas tão alarmantes; mas graciosa e pacientemente dá tempo a que se arrependam. Se as advertências, as repreensões e a disciplina não produzirem efeito, então, o juízo deverá seguir o seu curso.

 

Estas coisas estão repletas de ensino prático no que respeita à doutrina da Assembléia. As sete igrejas da Ásia oferecem-nos diver­sas e admiráveis ilustrações da casa submetida a juízo sacerdotal. Deveríamos estudá-las cuidadosamente e com oração, pois são de imenso valor. Não devemos olhar para as nossas conveniências, quando algo de natureza suspeita surge na assembléia. Podemos ser tentados a desculparmo-nos, dizendo: Isto não me diz respeito; porém é dever de todos os que amam ao Senhor da casa cuidar com zelo da pureza dessa casa; e se hesitarmos ante o cumprimento deste dever não será para nossa honra nem proveito no dia do Senhor.

 

Não prosseguiremos com este assunto, mas, antes de encerrar esta parte, desejamos declarar que cremos firmemente que todo este assunto da lepra tem lições de grande alcance, não só em relação à casa de Israel, mas também aplicáveis à igreja professa.

 

Autor: C. H. Mackintosh