Dica de Livros
O Descortinar do drama da redenção
W G. Scroggie
 

 

Com Cristo na Escola de Oração
Andrew Murray
 

 

O Ministério 
do Espírito 
A. J. Gordon
 

 

Avivamento na Prática da Oração

“Veio outro anjo e ficou de pé junto ao Altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o Altar de Ouro que se acha diante do Trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos. E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto” - Ap 8.3-5.

“Não tendes, porque não pedis” - Tg 4.2

     

Se houvesse um avivamento na prática da oração entre os filhos de Deus, logo haveria um avivamento de bênçãos no mundo, fora da Igreja. Entendemos muito pouco a respeito da oração inteligente. Ela é acessível a muitos como uma obra definida, tanto quanto a obra da pregação. Voltemos nossa atenção para Tiago 5.16: “A súplica de um justo pode muito em seus efeitos”.

    

Existe uma obra realizada pela oração, mas deve ser “a súplica de um homem justo”! Não só justo pela justiça imputada, mas justo em sua atitude para com o pecado e em sua vida pessoal. Esta é uma condição absoluta para a oração que realiza! Aquele que ora deve viver em vitória pessoal. A primeira pergunta então é: Você deseja entender e conhecer a oração que prevalece? Você está vivendo em vitória pessoal? Você quer viver em vitória pessoal? Você está determinado a viver em vitória pessoal? Existem muitos que falam sobre vitória, mas que não desejam cumprir as condições para prová-la.

 

A Oração de Elias

     

Observe agora como a oração funcionou no exemplo mencionado por Tiago: “Elias era um homem de natureza semelhante à nossa”, e então continua procurando mostrar os efeitos da sua oração. Quer dizer, o que foi possível a Elias, é possível a você. “Ele orou com instância para que não chovesse, e não choveu”. Este homem tinha poder para fechar os céus, todavia era um homem de natureza semelhante à nossa. Quando ele orou para que os céus não dessem chuva, o resultado foi: não houve chuva.

     

Ser capaz de orar para que os céus se fechem sobre um país inteiro é uma obra real. Ainda não compreendemos as possibilidades desse trabalho da oração. A oração para muitos é algo que fazemos de vez em quando e nos momentos em que nada se tem para fazer. Mas a oração é uma obra definida, mais ampla em seus resultados e maior do que qualquer outro serviço que possa ser feito na terra, caso a pessoa saiba como orar.

     

Elias era um homem de natureza semelhante à nossa e podia orar desse modo e realizar uma obra tal por meio da sua oração, que teve influência no país inteiro. O que precisamos é de mentes abertas para as possibilidades desse tipo de oração e nos determinarmos a conhecer a Deus, a fim de podermos orar como Elias. Eis uma tremenda possibilidade ao alcance de qualquer crente que esteja disposto a aprender. Se você pode aprender a conhecer a Deus, visando conhecer a mente de Deus quando Ele quiser realizar algo, você poderá também orar como Elias. Elias conhecia a Deus e a vontade de Deus e assim podia orar trazendo resultados para o povo de Israel. Você pode igualmente tocar o país e o mundo inteiro, caso conheça a vontade de Deus, porque a oração conforme a vontade de Deus “pode muito em seus efeitos”.

 

A Oração Que Liga e Desliga

 

Existem dois aspectos da oração mencionada por Tiago com relação a Elias, os quais foram mencionados por Cristo quando Ele estava na terra: ligar e desligar coisas na terra pela oração (Mt 18.18). Elias fechou e abriu os céus. Falando sobre esse poder da oração, o Senhor Jesus disse: “O que ligardes na terra terá sido ligado no céu e o que desligardes na terra terá sido desligado no céu”. O contexto mostra claramente que isto se refere ao ligar e desligar da oração, pois o Senhor prossegue dizendo: “Se dois de vós concordardes acerca de alguma coisa, isso vos será feito”. 

     

Como pessoas que servem a Deus, chegamos num ponto no serviço, onde precisamos alcançar um conhecimento de Deus e desse tipo de oração. Ainda não alcançamos o ponto da oração que satisfaça as necessidades atuais. Elias orou para que não chovesse, e não choveu durante três anos; depois “ele orou de novo e os céus deram chuva”. Isso é tudo o que Tiago diz sobre uma coisa tão tremenda. Ele não diz: “Como Elias era maravilhoso”! Não existe excesso de linguagem na Bíblia, mas sim declarações sóbrias, uma onipotência calma e majestosa, sem exageros. Quando Deus realiza coisas grandes, Ele as faz discretamente, exatamente como Ele fez com Elias que “orou, e os céus foram abertos e produziu chuva”.

     

Desse pequeno vislumbre de Elias, passemos a outro quadro dessa obra da oração, ou melhor, da oração que realiza. Concentremos nossa atenção em Moisés e na sua obra de “ligar e desligar” registrada em Êxodo 17. Israel estava em grande necessidade de água, e por isso o povo começou a acusar a Moisés dizendo: “Moisés nos tirou do Egito; que ele agora nos dê água para beber”. Moisés apenas voltou-se para Deus. “Ele clamou ao Senhor” pelas necessidades do povo, e então o Senhor lhe disse o que fazer. Ele devia ir a uma rocha onde “Eu estarei diante de ti ... ferirás a rocha e dela sairá água” (Ex 17.6). Moisés assim fez e dela saiu água. Neste aspecto da oração de Moisés pelas necessidades do povo, observe principalmente o clamor de Moisés e a resposta de Deus.

 

As Mãos de Moisés: Levantadas

     

Mas neste mesmo capítulo temos outro aspecto da oração conjunta. Amaleque veio atacar Israel. Moisés não “clamou” ao Senhor, pois sabia o que devia fazer. Tomando a vara de Deus, ele permaneceu no cume do monte e ergueu suas mãos (Ex 17.9-15), enquanto Josué desceu ao vale para lutar contra o inimigo. Quando as mãos de Moisés abaixavam, Amaleque prevalecia; quando as mantinha levantadas, Israel vencia. O que Moisés estava fazendo? Com certeza ele estava levantando suas mãos contra o inimigo invisível por trás de Amaleque que atacava o povo de Deus.

     

Para entendermos isso precisamos lembrar que a Bíblia diz claramente que Deus tratou em juízo com todas estas nações, porque Ele tinha uma guerra com os deuses que elas cultuavam. Através de todas as Escrituras nos é mostrado que a idolatria é culto aos demônios (1Co 10.19,20). As forças diabólicas estavam por trás dos deuses dos cananeus, como acontece hoje em todas as terras onde os ídolos são cultuados.

     

Quando os pagãos idólatras atacaram Israel, Moisés não “clamou” ao Senhor, mas permaneceu no cume do monte, erguendo a vara que representava o poder de Deus contra os poderes sobrenaturais por trás de Amaleque (Ef 6.10). Aqui estão, portanto, dois aspectos da oração, ilustrados nestes incidentes: (i) O aspecto da súplica, na figura de Moisés indo a Deus e suplicando pelo povo: “Senhor, dê-lhes água”; (ii) E o aspecto de permanecer com Deus contra o inimigo, quando Moisés tomou a posição de erguer as mãos. No primeiro Deus lhe mostra o que fazer para conseguir água, mas quando o conflito chega, há uma mudança total de atitude. Neste aspecto ele sobe ao monte e levanta as mãos.

     

Poderíamos perguntar: “Moisés, porque você não desce para lutar no vale?” Ele responderia: “Eu estou lutando: Josué está lutando contra a carne e o sangue lá embaixo, mas eu estou tratando com algo mais aqui em cima no monte. A vara de Deus está em minha mão!” E naquela posição de resistência incessante, Moisés teve que permanecer até que a vitória fosse completa. Não era uma obra fácil como sua obra de suplicar, pois envolvia sofrimento prolongado até que a vitória fosse conquistada. No fim do capítulo a chave para ação de Moisés é dada nas palavras: “O Senhor é a minha bandeira!” Ao levantar suas mãos com a vara de Deus, Moisés estava levantando a bandeira contra as forças invisíveis. 

    

É uma figura marcante dos dois aspectos da obra da oração. Elias nos mostra o poder da oração para ligar e desligar em favor de uma nação inteira. Moisés mostra o “ligar” do poder do inimigo e o “desligar” da água para as necessidades do povo do Senhor.

 

A Igreja no Pentecostes e os Apóstolos

     

Se voltarmos para a Igreja no Pentecostes e a atitude dos Apóstolos, veremos como a oração era para eles um trabalho. Problemas surgiram naquela igreja cheia do Espírito, e no meio das dificuldades o Apóstolo disse: “Vamos nos dedicar a resolver esta questão”? Não! Ele disse: “Nos consagraremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6).

     

A Igreja primitiva sabia como orar. Eles sabiam como abrir as portas da prisão para Pedro. Eles não levaram uma petição a Herodes, mas se dedicaram à “oração ardente e incessante”. Esse tipo de oração “realizava”, exatamente como foram eficazes as orações de Elias e Moisés. Aqui estão os Apóstolos, homens cheios do Espírito Santo, dizendo: “Nos consagraremos à oração”. Esta é a ordem da “obra” em nossas vidas? 

     

Somos responsáveis por coisas pelas quais não oramos. Freqüentemente pensamos que a “oração” significa meia hora pela manhã, ou algumas horas, levantar mais cedo e até mesmo reuniões de oração onde metade das pessoas vai acertar suas vidas com Deus ou em busca de suas necessidades pessoais. A oração de Elias teria sido tão eficaz e poderosa, se sua oração visasse apenas seu crescimento pessoal? Não é de surpreender que não entendamos que a oração é um trabalho, e que toda oração deveria realizar alguma coisa.

     

Elias nos mostrou a obra da oração por um país inteiro, e Moisés a obra da oração pela nação eleita. Tomemos agora o exemplo de Paulo em seu trabalho pelas igrejas e pelos crentes individuais. Vejamos primeiro como Paulo almejava as orações dos santos aos quais ele se dirigia, embora fosse um homem cheio do Espírito Santo. Ele conhecia a Deus, e mesmo assim, quase com lágrimas, suplicava aos filhos de Deus que se unissem a ele em sua vida intercessora e participassem com ele em seu serviço e conflito. Não temos deixado o púlpito sem a proteção da oração? Quanto tempo você dedica à oração pelo seu pastor ou pelos seus líderes? Quanto você tem orado pelo homem no púlpito, desviado pelas doutrinas de demônios de hoje? Somos responsáveis até mesmo pelas coisas que nos afligem na igreja, porque não vigiamos na oração. Não são muitos os que foram despertados para o fato de que devemos orar por todos os santos e por todo o povo de Deus. Todo homem colocado numa posição mais à vista, deveria ser o assunto da nossa oração persistente.