Dica de Livros
O Descortinar do drama da redenção
W G. Scroggie
 

 

Com Cristo na Escola de Oração
Andrew Murray
 

 

O Ministério 
do Espírito 
A. J. Gordon
 

 

Humildade: O Segredo da Redenção

Leitura: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, (...) que a Si mesmo se esva­ziou, assumindo a forma de servo (...) e a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira" (Filipenses 2.5, 7b-9a).

 

Nenhuma árvore pode crescer se não for na raiz da qual brotou. Ao longo de toda a sua existência, ela pode viver somente com a vida que estava na semente que lhe deu existência. A ple­na compreensão dessa verdade em sua aplicação ao primeiro e ao Último Adão nos ajudará grandemente a entender tanto a necessidade como a natureza da redenção que há em Jesus.

 

A Necessidade

 

Quando a velha serpente, que foi expulsa dos céus por seu orgulho, cuja natureza completa como diabo era orgulhosa, falou suas palavras de tentação aos ouvidos de Eva, essas palavras levavam consigo o próprio veneno do inferno. E quando ela ouviu, e entregou seu desejo e sua vontade à possibilidade de ser como Deus, conhecendo o bem e o mal, o vene­no entrou em sua alma, sangue e vida, destruindo para sempre aquela abençoada humildade e depen­dência de Deus que teria sido nossa felicidade per­pétua. E, em vez disso, sua vida e a vida da raça que brotou dela se tornaram corrompidas desde a raiz com o mais terrível de todos os pecados e maldi­ções: o veneno do orgulho do próprio Satanás. Todas as desgraças das quais o mundo tem sido o cenário, todas as suas guerras e derramamento de sangue en­tre as nações, todo o egoísmo e sofrimento, toda a ambição e inveja, todos os seus corações partidos e vidas amarguradas, com toda a sua infelicidade cotidiana, têm sua origem no que este orgulho maldito e infernal — seja o nosso próprio ou o de outros — nos trouxe. É o orgulho que faz a redenção necessária; é do nosso orgulho que precisamos, acima de todas as coisas, ser redimidos! E nossa compreensão da ne­cessidade de redenção vai depender grandemente de nosso conhecimento da terrível natureza do poder que entrou em nosso ser.

 

Nenhuma árvore pode crescer se não for na raiz da qual brotou. O poder que Satanás trouxe do inferno, e lançou para dentro da vida do homem, está operando diariamente, a todo tempo, com grande po­der por todo o mundo. Os homens sofrem por sua causa; eles temem e lutam e fogem disso, e ainda não sabem de onde isso vem e de onde provém sua terrí­vel supremacia! Não é de admirar que eles não sabem onde ou como isso deverá ser vencido. O orgulho tem sua raiz e força em um terrível poder espiritual, tanto fora de nós como dentro; tão necessário como confessá-lo e lamentá-lo como sendo nosso próprio é conhecê-lo em sua origem satânica. Se isso nos leva a um desespero completo de, absolutamente, subju­gar e expulsar esse orgulho, isso nos levará o quanto antes ao único poder sobrenatural no qual nossa li­bertação poderá ser encontrada: a redenção do Cor­deiro de Deus.

 

A batalha desesperada contra a atuação do ego e do orgulho dentro de nós pode, real­mente, tornar-se ainda mais desesperadora quando pensamos no poder das trevas por trás de tudo isso; mas o desespero completo irá preparar-nos melhor para percebermos e aceitarmos um poder e uma vida fora de nós mesmos, que é a humildade dos céus tal como foi trazida para baixo e para perto pelo Cordei­ro de Deus, a fim de expulsar Satanás e seu orgulho.Nenhuma árvore pode crescer se não for na raiz da qual brotou. Assim como precisamos olhar para o primeiro Adão e sua queda para conhecer o poder do pecado dentro de nós, precisamos conhe­cer também o Último Adão e Seu poder para nos dar interiormente uma vida de humildade tão real e per­manente e dominante quanto tem sido a do orgulho.

 

Temos nossa vida de Cristo e em Cristo, tão verda­deiramente — de fato mais verdadeiramente — como de Adão e em Adão. Temos de andar arraigados Nele "retendo a Cabeça, da qual todo o corpo (...) cresce o crescimento que procede de Deus" (Cl 2.7, 19). A vida de Deus, a qual, na encarnação, entrou na natu­reza humana, é a raiz na qual devemos estar firmados e crescer; é o mesmo poder grandioso que trabalhou lá e, desde então, ruma para a ressurreição, que traba­lha diariamente em nós. Nossa única necessidade é estudar e conhecer e confiar na vida que foi revelada em Cristo como a vida que agora é nossa, e espera por nosso consentimento para ganhar possessão e domínio de todo o nosso ser.

 

Com isso em vista, é de inconcebível impor­tância que tenhamos pensamentos corretos do que Cristo é — do que realmente O constitui como o Cristo — e especialmente do que pode ser conside­rado como Sua característica principal, a raiz e a essência de todo Seu caráter como nosso redentor. Não pode haver senão uma resposta: é a Sua humil­dade. O que é a encarnação, Seu esvaziar a Si mes­mo e ter-se tornado homem, senão Sua humildade celestial? O que é a Sua vida na terra, Seu assumir a forma de um servo, senão a humildade? E o que é a Sua expiação senão a humildade? "A Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte" (Fp 2.9). E o que são Sua ascensão e Sua glória senão a humildade exaltada ao trono e coroada de glória? "A Si mesmo se humilhou (...) pelo que também Deus O exaltou sobremaneira" (vs. 8, 9). Nos céus, onde Ele estava com o Pai, em Seu nascimento, em Sua vida, em Sua morte, em Seu assentar-se no trono: tudo isso não é outra coisa a não ser humildade. Cristo é a humildade de Deus incorporada na natu­reza humana: o Amor Eterno humilhando-se a Si mesmo, revestindo-se com as vestes da mansidão e da bondade para vencer, e servir e nos salvar. Como o amor e condescendência de Deus fazem Dele o benfeitor, e auxiliador e servo de todos, assim, Je­sus, por necessidade, se tornou a Humildade Encar­nada. E, assim, mesmo no centro do trono, Ele é o manso e humilde Cordeiro de Deus.

 

Se isso for a raiz da árvore, sua natureza tem de ser vista em cada ramo, folha e fruto. Se a humildade for a primeira, a graça todo-inclusiva da vida de Jesus - se a humildade for o segredo de Sua expiação -, então, a saúde e a força de nossa vida espiritual de­penderão inteiramente de colocarmos essa graça em primeiro lugar também, e fazer da humildade a princi­pal coisa que admiramos Nele, a principal coisa que pedimos Dele, a única coisa pela qual sacrificamos tudo o mais.

 

É de se admirar que a vida cristã seja tão fre­quentemente fraca e infrutífera, se a própria raiz do Cristo-vida é negligenciada, é desconhecida? É de se admirar que a alegria da salvação seja tão pouco ex­perimentada, se aquela atitude em que Cristo a en­controu e a trouxe é tão pouco procurada? Até que uma humildade que descansará em nada menos do que o fim e a morte do ego — que renuncia a toda honra dos homens, como Jesus fez, para buscar a hon­ra que vem somente de Deus; que se considera e faz de si mesmo absolutamente nada, para que Deus possa ser tudo, para que somente o Senhor seja exaltado — até que tal humildade seja o que buscamos em Cristo, acima de nossa maior alegria, e seja bem-vinda a qual­quer preço, há muito pouca esperança de que haja uma religião que vencerá o mundo.

 

Eu não poderia pleitear com demasiada serieda­de com meu leitor, se, por ventura, sua atenção ainda não se tenha voltado, de maneira especial, à falta de humildade que há dentro e em torno dele, para parar e questionar se ele vê muito do espírito do manso e humilde Cordeiro de Deus naqueles que são chamados pelo Seu nome. Que ele considere como toda carência de amor, toda indiferença às necessidades, aos sentimentos, à fraqueza de outros, todo julgamento e expressão severa e precipitada — que, tantas vezes, se justificam sob o argumento de se ser franco e ho­nesto —, todas as manifestações de temperamento, sen­sibilidade e irritação e todos os sentimentos de amar­gura e desavença têm sua raiz em nada senão no or­gulho, que sempre busca a si mesmo! Então, seus olhos serão abertos para ver como um orgulho tene­broso, para não dizer um orgulho diabólico, penetra em quase todo lugar, sem excluir as assembleias dos santos.

 

Que ele comece a questionar qual seria o efeito dentro dele e naqueles à sua volta se os crentes esti­vessem, de fato, sendo permanentemente guiados pela humildade de Jesus no relacionamento tanto com os santos como com o mundo; e que ele diga se o cla­mor de todo o nosso coração, noite e dia, não teria de ser: "Que a humildade de Jesus esteja em mim e em todos ao meu redor!" Que ele enfoque seu coração honestamente em sua própria carência daquela hu­mildade que foi revelada na semelhança da vida de Cristo e em todo o caráter de Sua redenção, e ele começará a sentir como se nunca tivesse realmente conhecido o que são Cristo e Sua salvação.

 

Crente, estude a humildade de Jesus! Esse é o segredo, a raiz oculta da sua redenção. Aprofunde-se nela cada dia. Creia com todo o seu coração que esse Cristo, a quem Deus lhe deu, assim como Sua humil­dade divina fez o trabalho para você, também entrará para habitar e operar em você e para fazer o que o Pai deseja que você seja. 

 

Autor: Andrew Murray 

Extraído do livro: Humildade: A Beleza da Santidade (publicado pela Editora dos Clássicos, www.editoradosclassicos.com.br